Cachoeiras do Dragão – Zen Budismo e Autoconhecimento – 2˚ texto

Por Jacquelinne Bivigin Fernandes*

Assunto: Zen Budismo e Autoconhecimento

Série: Cachoeiras dos Dragões

Resumo: Durante minha viagem ao Centro-Oeste brasileiro, conheci as Cachoeiras dos Dragões, situadas dentro de um sítio ecológico onde também se encontra o Mosteiro Zen Eisho-Ji, fundado pelo Mestre Ryotan Tokuda no ano de 2001 em Várzea do Lobo, localidade rural à 38km da cidade de Pirenópolis – GO, distante a 120 km de Goiânia e 150 km de Brasília.

As 8 cachoeiras e suas várias nascentes nos convidam a percorrer uma trilha no cerrado goiano em total contato com a natureza e suas belezas.

Cada cachoeira, com sua mitologia relacionada aos Dragões, nos oferece mais do que um agradável passeio, proporcionando um mergulho em nós mesmos e um despertar silencioso.

Link para o artigo sobre a primeira cachoeira

Segunda Cachoeira – Dragão Azul

  • Zen Budismo e Mitologia:

“A segunda é a Cachoeira do Dragão Azul.

O Dragão Azul está no símbolo dos Quatro Deuses de Shishin. Esse Dragão Azul está morando no fundo das águas onde ninguém pode sondar tal profundidade. As pessoas estão querendo chegar até lá, tem que descer até essa profundidade.

Coloquei esse nome porque a Cachoeira do Dragão Azul tem camadas de pedra, como um penhasco, então o livro Zen do Hekigan “Crônicas do Penhasco Azul” fala do sofrimento, que duro, não contar a ninguém sobre essa dureza, porque ninguém vai entender, apenas aqueles que por isso passaram. Então com a prática do Zen às vezes tem que entrar na Caverna do Dragão Azul arriscando sua própria vida. É isso aí.

O mosteiro hoje em dia está um pouco relaxado, mas o sesshin, o kyosaku é isso e experimenta seus limites, tanto físicos quanto espirituais. Mas com o tempo de treinamento a capacidade vai crescendo cada vez mais.
É o treinamento: quanto mais treina, tanto mais a capacidade cresce. O Dragão Azul.”

Cachoeira Dragão Azul

“Às vezes, é necessário que o mal chegue ao excesso, para se tornar compreensível a necessidade do Bem e das Reformas.”
Allan Kardec

O Leste é guardado por Qing Lóng, o Dragão Azul. Seu elemento é a madeira, a sua estação é a Primavera e a sua virtude é a benevolência.

O Sol, a maior estrela do Sistema Solar, nasce no Leste. Do Leste vem a Luz. A Luz não tem sombra.

A Luz do Todo afasta o medo, desfaz crenças limitantes, elimina bloqueios ao nosso crescimento pessoal e restabelece nosso estado ideal de equilíbrio.

Quando decidimos ir ao encontro de nossa Essência, descobrimos nossa Paz interior, calamos o Ego, nos distanciamos dos turbilhões de pensamentos e emoções que vagam na mente tentando nos tirar o foco e a concentração daquilo que de fato é importante para nós. Essa desordem da mente, ou seja, o hábito de pensar negativamente (entropia psíquica) deve ser evitado a todo custo. Cada pensamento negativo deve ser substituído por outro positivo. Pensamentos são energia. Tudo o que pensamos e sentimos nós atraímos e, ao focarmos a mente em pensamentos negativos, perdemos energia. Um pensamento determinista como por exemplo: “pobre nasce pobre e morre pobre” criará mais pobreza, sequestrando a chance de a pessoa criar uma nova realidade para si, desprezando todo o seu potencial criativo.

Sendo assim, para que haja crescimento, devemos manter a mente organizada, focada em pensamentos positivos. A entropia psíquica ocorre quando deixamos a mente “vagar”, o que na sequência, atrai pensamentos negativos. Portanto, manter a mente focada é um hábito que a pessoa deve desenvolver se almejar o crescimento pessoal.

Ao mergulharmos profundamente em nós mesmos, com a mente organizada, percebemos nossa Essência ou Natureza Divina, a morada do Dragão Azul.

Cultivar a Paz interior, semear a Paz nos relacionamentos, meditar, contemplar o Todo através de suas criações e viver para fazer o outro feliz nos conduz à nossa Divindade, ao estado de equilíbrio e à vibração natural de saúde.

Viver para fazer o outro feliz é mais fácil (e menos oneroso) do que se imagina: uma visita, um convite para um pedaço de bolo recém-saído do forno, um cobertor para quem mora na rua, um “bom dia” de coração ao funcionário público que cuida da sua rua são maneiras de colocar um sorriso no rosto do outro e levar conforto ao seu coração. O ato de cooperar com o próximo nos traz um pedacinho do Céu, uma sensação de felicidade em ver o outro feliz. E, bioquimicamente falando, pensamentos e sentimentos positivos estimulam a liberação de serotonina, endorfina, ocitocina, dopamina – neurotransmissores poderosos que nos fazem sentir alegria, amor, empatia, conforto, coragem e iniciativa.

Viver em conexão com o Universo nos proporciona insights e inspirações em nossa vida prática, um auxílio auspicioso que elucida problemas e questões que até então nos consumiam horas de sono e de produtividade.

Quando a Luz penetra em uma questão que nos mantinha aprisionados, paralisados ou em constante ansiedade, Ela bane a dúvida, a escuridão, e, como consequência imediata, há crescimento pessoal, a pessoa evolui e se liberta daquele ciclo vicioso. Nesse momento, a pessoa dá um salto qualitativo em sua vida (salto quântico na consciência), ou seja, assimila uma nova forma de resolver determinada questão que lhe proporciona felicidade, expandindo sua capacidade de realização, de análise, de produtividade.

Todavia, poucos vivem em conexão com o Todo.

A frequência em templos ou a prática de alguma religião não garante o encontro com nossa Essência nem a certeza da Paz interior porque o Todo respeita suas crenças e seu livre arbítrio e aguardará até que você se permita passar por todas as experiências necessárias para mudar por si mesmo sua visão do mundo. Ele aguardará até que você rompa com o estilo de vida vigente, aquele que já não lhe faz mais feliz, e mergulhe no vazio, no âmago de seu Ser, buscando sozinho (a) as respostas de que precisa.

O Caminho do crescimento é solitário e somente aqueles que já passaram por Ele ou aqueles que Nele estão, poderão compreender o que é ter seus limites físicos e espirituais testados. Mas o tempo é senhor da verdade e nos revela a sabedoria da vida, que é a consequência da experiência diária no Caminho e do Conhecimento recebido através de insight, intuição e/ou inspiração. Esse processo não precisa ser doloroso, entretanto, quanto maior a resistência à mudança, maior a dor.

A lagarta não resiste ao casulo, ela apenas se entrega.

A borboleta renasce desapegada, leve e feliz sem motivo. Ela apenas é!

Glossário:

  • Quatro Deuses de Shishin ou Quatro Deuses Celestiais

Uma das lendas principais da China antiga é a lenda das quatro criaturas celestiais, ou quatro deuses celestiais ( Shishin ).

Cada um deles guarda um ponto cardeal, representa uma estação, uma cor, um elemento, uma virtude e outras características.

E cada um deles representa um quadrante no céu e cada quadrante destes é composto por sete pequenas constelações, cada uma representando uma parte do corpo destas criaturas celestiais, também chamados de 28 mansões celestiais. Existe também um guardião central representando a própria China, ou o planeta terra.

Estes quatro deuses na China, recebem os nomes de Qing Lóng,( o dragão azul ), Zhu Qiao ( o pássaro vermelho ), Bái Hu ( o tigre branco ) e Xuán Wu ( a tartaruga negra ). O símbolo central é representado por um dragão amarelo chamado Huang Long.

  • Sesshin

Um Sesshin é um período de meditação intensiva em um mosteiro Zen. Enquanto a rotina diária do monastério exige que os monges meditem várias horas por dia, durante um Sesshin eles se dedicam quase exclusivamente à prática do zazen (meditação sentada).

Sesshin é um retiro de meditação Zen Budista.
Sesshin significa unificar a mente.
Através de práticas milenares pode-se desenvolver sutilezas na percepção da realidade.
Sesshin também significa penetrar a mente, penetrar a essência do ser.

  • Kyosaku – O bastão da compaixão.

No Zen-budismo, o kyosaku é um bastão ou ripa de madeira usada durante os períodos de meditação para remediar a sonolência ou os lapsos de concentração. Isto é conseguido através de um golpe ou série de golpes, geralmente administrados nas costas e ombros do meditador na área muscular entre as omoplatas e a espinha.

*Jacquelinne Bivigin Fernandes é Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Cândido Mendes, fez MBA em Gestão Empresarial pela Universidade Católica do RJ – PUC-Rio, é Profissional das áreas de Supply Chain Management e Controle de Projetos e também terapeuta Ayurveda pela ABRA – Associação Brasileira de Ayurveda e estudante de Física Quântica.

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