Budismo – Quatro Nobres Verdades

Via blog da Monja Coen, Photo by Alexandre Chambon on Unsplash

Photo by Alexandre Chambon on Unsplash

As Quatro Nobres Verdades, de acordo com os textos canônicos, são a Verdade do Sofrimento, a Verdade da Causa do Sofrimento, a Verdade da Extinção do Sofrimento e a Verdade do Caminho de Oito Aspectos para a Extinção do Sofrimento.

Nobre aqui é usado com o sentido oposto de comum, ordinário, indicando iluminação supramundama, uma condição transcendendo a existência mundana.

“A básica doutrina Budista das Quatro Nobres Verdades é completamente lógica: exclui qualquer coisa que seja ilógica. A exclusão do ilógico é característica básica e única do Budismo.” (Prof. Mizuno Kogen “Essentials of Buddhism”).

O Sutra do Girar a Roda do Darma no Parque dos Cervos, uma das seções do Samyutta-nikaya, é onde as Quatro Nobre Verdades são descritas por Xaquiamuni Buda (cerca do século VII antes de Cristo):

“Monges! Nascimento é sofrimento, velhice é sofrimento, doença é sofrimento, morte é sofrimento.”

“Estar unido ao que se detesta é sofrimento. Separar-se do que se ama é sofrimento. Não se obter o que se deseja é sofrimento. Resumindo, apego aos cinco agregados é sofrimento.”

“Esta é a Nobre Verdade do Sofrimento.”

“Monges! É o apego que leva ao renascimento, conectado à alegria e ganância, continuamente encontrando deleite e prazer ora aqui ora ali. É o apego por satisfações sensuais, apego à existência e apego à não-existência.”

“Esta é a Nobre Verdade da Causa do Sofrimento.”

“Monges! O apego pode ser afastado e destruído, abandonado e rejeitado. Libertar-se e livrar-se dos apegos (é possível).”

“Esta é a Nobre Verdade da Extinção do Sofrimento.”

“Monges! Esta é a Nobre Verdade sobre o Caminho de Exterminar o Sofrimento:
ponto de vista correto, pensamento correto, fala correta, ação correta, meio de vida correto, esforço correto, atenção correta e concentração correta.”

Sofrimento

A importância da Verdade do Sofrimento (dukkha-satya, dukkha-sacca) é a necessidade primordial de ver a realidade como é. Em termos do absoluto, o relativo é incompleto, repleto de contaminações e sofrimentos.

Há oito espécies de sofrimento: nascimento, velhice, doença, morte, contato com o que detestamos, separação do que amamos, objetivos inalcançáveis e o sofrimento inerente ao apego aos cinco agregados (elementos psicofísicos: forma – rupa, sentimentos – vedana, percepção – samjna, sanna, constituintes mentais – samskara, sankhaara e consciência – vijnana, vinnana. Coletivamente são chamados de numa (nome) e rupa (forma). Assim o composto de nome-forma é um sinônimo dos cinco agregados. Tanto os agregados físicos como mentais são caracterizados pela impermanência, sofrimento e não-eu.

Causa do Sofrimento

Na Verdade da Causa do Sofrimento (samudaya-satya, samudaya-sacca) a palavra da Índia traduzida como “causa” significa “vir junto, formar-se conjuntamente e surgir, aparecer”. O Sutra considera apego como a causa do sofrimento. Há três tipos de apegos:

Apegos sensuais, dos cinco desejos ou seja, dos desejos resultantes dos objetos dos cinco sentidos. Apego mundano.

Apego por existência se refere a existência superior, nos níveis celestiais, de renascimento nesses estados. É ainda um aspecto egoista.

Apego à não-existência é o desejo pelo nada, como condição de paz interior, considerado egoísta. Alguns traduzem não existência como apego à prosperidade desde que a palavra Vibhara também pode ter esse sentido. Os comentários tradicionais interpretam como não-existência e é nesse sentido que aqui interpretamos.

Budismo recomenda atividade positiva e uma atitude de não-eu para purificar a sociedade nesta vida.” – Prof. Mizuno

Extinção do Sofrimento

O Sutra define a Verdade da Extinção do Sofrimento (nirodha-satya, nirodha-sacca) como a eliminação dos apegos e o estado de Nirvana.

Sutras primitivos descrevem Nirvana como eliminação das máculas, extinção da ganância, raiva e ignorância. Neste contexto a extinção do sofrimento é Nirvana.

O Caminho

A Verdade do Caminho (marga-satya, magga-sacca) se refere á extinção do sofrimento, ao caminho de prática e ao nirvana. Conhecido como O Caminho Nobre de Oito Aspectos ou Oito Passos (arya-astangika-marga, ariya-aatthangika-magga). Embora estudados individualmente cada aspecto faz parte de um todo orgânico e indivisível.

Ponto de Vista Correto – sabedoria e compreensão das Quatro Verdades Nobres e da Origem Interdependente. Alguns consideram como Fé Correta, para os de pouca experiência que ainda não adentraram o nível da sabedoria superior.

Pensamento Correto – pensamento ou determinação que precede ação ou fala. Para uma pessoa ordenada é a prática do pensamento correto através da mente cada vez mais gentil, compassionada e pura. Para os leigos é pensar corretamente sobre sua situação e agir determinadamente de acordo.

Fala Correta – surge do pensamento correto. Não mentir, não usar linguagem pesada, não falar mal dos outros, não caluniar, não falar frivolamente e usar a fala beneficiando a todos e conduzindo à harmonia, pela ternura que nutre a todos os seres.

Ação Correta – surge do pensamento correto. Não matar, não roubar, não cometer adultério. É praticar boas ações como a de proteger e cuidar de todos os seres, observando os valores éticos.

Meio de Vida Correto – conduta correta na maneira de viver, de se manter, com hábitos regulares e saudáveis de dormir, comer, trabalhar, fazer exercícios, descansar. Viver de maneira a melhorar a saúde, ser mais eficiente e criar harmonia, eficiência e saúde para todos. Ter meios de vida que considerem outros seres, outras formas de vida, o respeito e dignidade próprios e dos outros presentes e passados, as futuras gerações, a sustentabilidade e a melhor qualidade da vida.

Esforço Correto – dedicar-se constante e assíduamente ao caminho de obter os ideais de fé religiosa, ética, eduação, política, economia e saúde produzindo e aumentando o que é bom e prevenindo e eliminando o que é mal.

Atenção Correta – manter-se atento garante que com a correta consciência e percepção nunca sejam esquecidos os objetivos ideais de fazer o bem a todos os seres. Na vida diária é agir com cuidado e atenção, pois qualquer momento desatento pode causar um desastre. Do ponto de vista Budista tradicional significa manter constante atenção à impermanência, sofrimento, não-eu.

Concentração Correta – aqui a referência é aos Dhyanas ou estados meditativos. Manter a mente calma e concentrada para permintir a manifestação da sabedoria completa e verdadeira a partir da qual surgem os pensamentos e ações corretas. Manter a mente clara e brilhante ativa em tranquilidade, tranquila em atividade.

Bibliografia utilizada:

Essentials of Buddhism – Basic Terminology and Concepts of Buddhist Philosophy and Practice (Primeira Edição 1996)

Autor: Kôgen Mizuno – Autoridade em Budismo Primitivo e Pali, foi Presidente da Universidade de Komazawa, em Tóquio onde ensinava também Budismo.

Editora: Kosei Publishing Co, – Tokyo – Japan

Tradução e Revisão de Monja Coen/Janeiro de 2003

Deixe uma resposta

Por uma vida mais consciente

Você quer receber as novidades e promoções do Nowmastê no seu e-mail?