BodyTalk & meridianos em relação

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Por Nirvana Marinho*

Photo credit: Xiyeimages via Visual hunt / CC BY-NC-SA

Essa série “BodyTalk &” foi idealizada para abrir possibilidades de conhecimento e diálogo do BodyTalk – abordagem terapêutica de saúde – com um público simpatizante, seja pelas inúmeras técnicas que são abordadas nas sessões de BodyTalk, seja pelas possíveis profissionais terapeutas atuantes que, ao utilizarem tais técnicas originais, podem dialogar também e reconhecer no BodyTalk convergêncas.

Serão 6 textos: BodyTalk &: (1) Corpo em movimento, (2) Os meridianos da Medicina Tradicional Chinesa, (3) Chakras e sua dimensão de auto-conhecimento, (4) Planetas em constelação, (5) Química do corpo e nosso microbioma e (6) Os cinco elementos na prática de escuta do corpo. E ao fim destes, três ensaios abordagem a Consciência como base filosófica e energética fundamental da abordagem e de sua terapêutica.

Este texto segundo abre-se para um campo de saber de conhecimento infinito sobre o qual repousam os Meridianos no corpo, segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), datada de milênios. São fios de rio, suaves, constantes, fluidos sobre os quais as energias de cada par de órgãos os caracterizam e nomeiam, alimentando a energia dos mesmos e compondo uma rede, um sistema próprio de nutrição e energia para o complexo corpo-mente. Onde lá estagnado ou para ser revigorado, o meridiano é uma via sobre a qual o corpo ganha uma dimensão intangível mas toda esta inter-relacionada e que pode ser observada quando se move energia. Imagine uma ponte de energia que ativada, flui, e assim sucessivamente, seja nos próprios meridianos, ou entre outros sistemas sutis do corpo, como os chakras, ou ainda influindo em todos os outros sistemas reconhecidos por sua materialidade.

Sua observação foi empírica, por sensações, e o relato de suas descobertas tem certa poesia, como igualmente se vê nos escritos Vedas antigos. Os escritos Chineses, tal como o célebre “Clássico do Imperador Amarelo” (Nei Jing), é um dos livros fundamentais da medicina tradicional chinesa e é dividido em dois livros, de 81 capítulos cada um, o Su Wen – “Tratado de Medicina Interna” e o Ling Shu – “O Pivô Maravilhoso”. Ambos são resultados da pesquisa extensiva e curiosa de Huang Di, este o próprio assim conhecido Imperador Amarelo, um dos Três Augustos, reis lendários, este que governou a China durante um período anterior à Dinastia Xia – de 2697 a.C. a 2597 a.C.

A identificação dos meridianos, segundo uma espécie de cosmogonia do corpo, traz-nos para uma concepção de ciclos: das estações ou sazonais; ciclos circadianos relacionados ao princípio fundamental Yin/Yang; os ciclos que descrevem a circulação da energia baseado nos cinco elementos; e, finalmente, o ciclo vital, ainda mais complexo. É mesmo uma rede conectada e em relação dos órgãos internos, as partes do corpo em que se iniciam ou terminam, aos pontos de acumputura, como são conhecidos, que desenham uma arquitetura de ação-reação do corpo e de suas energias em relação ao meio.

Os meridianos principais ou regulares, em pares, são 12, estes ligadas aos órgãos, vísceras ou funções e igualmente caracterizados pelos elementos da MTC: fogo, terra, metal, água, madeira. Os extraordinários são 8, dentre estes os Vasos Governador e Concepção, muito conhecidos, e ainda outros meridianos caracterizam a grande teia de vasos energéticos do corpo. Além de um percurso definido, os 12 principais podem ser sentidos no pulso segundo técnica especifica da MTC, sejam estes superficiais ou profundos. Também seguem um relógio dos seus horários de predominância assim como guardam quatro fatores fisiológicos: Qi ou energia, Hsue ou Sangue, Ying como nutrição (intravascular) e Wei como proteção (extravascular).

Adentrar esse universo é um exercício importante para mudar nosso paradigma de diagnóstico ou compartimentações para um novo olhar sobre as conexões e as interrelações entre o fora-dentro, a deficiência- o excesso, o superficial e o profundo. Ou seja, ao invés de pensar na queixa localmente ou pontualmente, o olhar se expande para várias possíveis concordâncias ou relações que o meridiano pode nos indicar, seja com o ponto específico, com sua qualidade Yin/Yang, com o orgão ou víscera que se relaciona, com elemento que corresponde (do qual merecemos um texto específico para tal tema) ou ainda com o horário em que ele atua. Ou, ainda mais interessante, tudo isso em múltiplas possíveis relações.

Assim é a compreensão do BodyTalk que, ao dialogar com tão antiga sabedoria, nos ensina sobre a complexidade do corpo-mente. Traz para si a responsabilidade de um olhar do todo e, ainda mais, das possíveis interrelações. Mas você perguntaria: todas as interrelações? Como isso é possível? No sistema BodyTalk, olhamos para a prioridade das relações que se dão em uma sessão, quando um meridiano conversa com uma parte do corpo, que se vincula com um chakra, e assim sucessivamente. Isso se dá porque a Sabedoria Inata do corpo pode sim ser capaz de elencar sua prioridade.

Os meridianos são vistos no BodyTalk como uma possível porta de entrada para reestabelecer seu equilíbrio. Devemos lembrar que equílibrio não é algo estástico, mas antes, movimento, mover tal energia, assim como acontece nesta trajetória de energia e suas qualidades de saúde na MTC. Sejam nutrindo órgãos ou estabelecendo a natureza dos elementos para este fluxo, pensar em meridianos no BodyTalk é pensar em fluxos, em cadências, em interrelações possíveis.

Atuar no campo energético ou sutil do corpo requer não somente a responsabilidade de olhar para os movimentos que o corpo indica, sejam das suas crenças limitadoras sejam aquelas que podem se ressignificar, mas também aprender com o corpo. Ele fala linguagens conexas, reinventando relações. Desse modo, os meridianos ganham uma nova dimensão que conecta energia, fisiologia e consciência, ou ainda vários campos que o BodyTalk observa e redesenha novas possíveis relações.
Complexo? Estamos diante de um paradigma sistêmico e da complexidade sim, pois nosso corpo guarda significados miscigenados com nossas experiências e memórias vivenciadas. E elas não são premeditadas ou tem um significado dado, pronto. Achar nossas histórias é um caminho de escuta e sem preconceito determinado. Um olhar atento, uma presença de corpo-mente-coração.

Assim, a MTC, assim como outros campos de saber que estamos lidando a cada um de nossos textos aqui, reforça sua vocação milenar e continua nos ensinar uma visão holística que não estamos habituados quando falamos de saúde, mas que podemos treinar ao perceber as várias dimensões que nosso corpo trafega. Uma extensa geografia de energia.

Referência

Wen, Dr. Tom Sintan. Acupuntura Clássica Chinesa. São Paulo: Editora Cultrix. 2011.

Conheça o BodyTalk escolhendo seu terapeuta pelo link oficial da IBA – Associação Internacional de BodyTalk. www.bodytalksystem.com

*Nirvana Marinho (CBP, Certified BodyTalk Practitioner (CBP), Terapeuta certificada IBA International BodyTalk Association)

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