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Bhagavad Gita

Bhagavad Gita

Nowmastê

Via Claudio Edinger*

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“Nas batalhas, na floresta, à beira dos precipícios, no alto das montanhas, na escuridão do mar, em meio às lanças, nas dúvidas, na mais profunda vergonha, as boas ações que um homem praticou o defendem.” — Krishna

Um dos clássicos indianos é o maravilhoso “Bhagavad Gita”.

O príncipe Arjuna, há mais de cinco mil anos, estava no campo de batalha em Kurukshetra, enfrentando seus primos que haviam se apoderado indevidamente do trono.

Arjuna, o melhor guerreiro do reino, passeava em sua biga, seu carro de guerra com duas rodas, puxado por quatro cavalos, em frente a um vasto exército. Quem conduzia a biga era o rei Krishna, seu primo e cunhado – e um profeta iluminado.

Quando viu seus parentes do outro lado, tios, primos, amigos de infância, decidiu não lutar.

“Nenhum reino vale tantas mortes e tanta tristeza que isso vai gerar, para as mulheres e os filhos destes homens,” disse a Krishna.

“Você tem que lutar!” disse-lhe o rei profeta, “esta é sua obrigação. Não pode deixar o reino nas mãos destes seus parentes que trarão ruína a todos. Eles não podem ficar impunes, você tem que dar o exemplo, para as futuras gerações, do que é integridade.”

E Krishna começa a cantar, uma canção (Gita) celestial (Bhagavad). Esta canção, em sânscrito, rimada, se transforma num pequeno livro genial, um dos tratados filosóficos mais profundos e poéticos que existem.

No livro, Krishna explica, sob o ponto de vista do próprio Criador, o que é tudo isso, tentando convencer seu primo Arjuna a lutar.

Quem quer entender a filosofia oriental não pode deixar de ler o “Bhagavad Gita”, parte de uma coleção de livros famosa, o “Mahabharata“.

O Gita diz:

“Nunca houve uma época onde eu e você não existimos. Nem haverá. Assim como a mesma pessoa habita o corpo durante a infância, juventude e velhice, da mesma forma na hora da morte, a alma vai para um outro corpo. O sábio não se deixa iludir por estas mudanças.”

“Assim como um reservatório é inútil em meio a uma cheia, as escrituras sagradas não servem para nada para alguém que vive embriagado com a consciência divina.”

“Tudo o que fizer, sem nenhum apego pessoal, faça-o como uma oferenda a mim: a comida que comes, o trabalho que fazes, até seus sofrimentos, ofereça-os a mim como a madeira que alimenta a fogo de sua própria sabedoria.”

“Os ignorantes fazem tudo para si. Estes não param de sofrer por isso. Os sábios trabalham para melhorar o mundo, sem pensar em si. São os que verdadeiramente se divertem.”

“Com uma gota de minha energia eu penetro a Terra e dou vida a todas as criaturas. Através da lua, que controla as águas, faço todas as plantas viverem. Eu entro em todas as criaturas através da respiração. Sou a chama em todos os estômagos que digerem todas as comidas.”

“A mente age como inimiga daqueles que não a controlam. Ela é agitada e difícil mas pode ser controlada com a prática.”

“É muito melhor seguir seu destino, fazer o que é a sua vocação natural, de uma forma imperfeita, do que imitar a vida de um outro, mesmo que perfeitamente.”

“Voltando-me para o meu interior, eu crio e recrio e crio mais.”

“A alegria e felicidade conquistadas com a pratica constante da meditação acaba com todo o sofrimento. No começo esta pratica parece veneno mas se transforma no maior de todos os néctares. Esta alegria e felicidade surgem da serenidade de nossas próprias mentes.”

“Eu sou o Tempo, destruidor dos mundos.”

“Somos o que vemos – e só conseguimos enxergar o que somos.”

“Meu querido Arjuna, somente através do amor incondicional por mim, vc vai conseguir entender o que eu sou. Só assim, com este amor profundo por mim, vc conseguirá entender os mistérios da minha criação.”

Claudio Edinger

*Formado em Economia, Claudio Edinger é autor de 14 livros fotográficos e um romance. Começou a dar aulas de fotografia em 1979 na Parson’s School of Design e mais tarde no International Center of Photography (ICP), ambos em Nova York.

Recebeu o Prêmio Leica duas vezes, o Prêmio Hasselblad, o Prêmio Higashikawa, o Prêmio Ernst Haas, Prêmio JP Morgan, Prêmio Pictures of The Year, Prêmio Abril, Prêmio Marc Ferrez e, por duas vezes, recebeu o Prêmio Porto Seguro no Brasil.

Suas fotos estão nas coleções do MASP, MIS, MAM, MAC, Pinacoteca, Museu Metropolitano de Curitiba, Metronòn (Barcelona), Higashikawa (Japão), AT&T Photo Collection, Equity International Photo Collection, Brazil Golden Art Fund, Itaú Cultural, Centro Cultural Banco do Brasil e nas maiores coleções particulares de fotografia do Brasil. É professor de História da Fotografia Contemporânea na Casa do Saber.

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