Autoconhecimento e eu

Por Carolina Sáber*

O autoconhecimento surgiu na minha vida e começou a fazer parte dos meus dias há seis anos. Eu cursava o terceiro ano do Ensino Médio, era uma jovem ansiosa, insegura e com muitas cobranças internas. Foi natural que, nesta época, eu me sentisse também pressionada a entrar em uma boa universidade e, ainda, a escolher uma profissão para exercer, em tese, por toda a vida.

Ansiedade e pressão se transformaram em sintomas físicos. Lembro-me de sentir uma dor de cabeça recorrente e intensa. Fiz exames, fui a médicos, porém não havia nenhuma causa aparente para essa dor. Foi quando minha mãe me levou a uma terapeuta energética que trabalhava com Reiki. Comecei a receber atendimentos semanais e percebi que os benefícios eram bem maiores do que o simples alívio das dores. 

Muitos caminhos começaram a se abrir na minha vida e com eles, também novos desafios. Entrei na faculdade de Direito em uma universidade em Juiz de Fora, a 6 horas da cidade em que sempre morei com minha família, e terminei um namoro de três anos. Tais mudanças me obrigaram a encarar partes minhas que até então estavam muito bem escondidas.

Descobri em mim apego, medo e insegurança mais fortes do que eu imaginava. Descobri também a dificuldade de me relacionar com pessoas de fora do meu círculo de amizade. Vi-me em uma cidade significativamente maior do que onde eu havia crescido e com a necessidade de solucionar questões que eu sequer sabia que existiam. 

Foi justamente por essas dificuldades que comecei a praticar Yoga e meditação num espaço incrível. As práticas me fizeram sentir que a liberdade externa que eu tanto desejava partia, na realidade, da necessidade de ser livre internamente. Livrar-me de crenças e condicionamentos que não me permitiam SER INTEIRA.

Liberdade passou a ter um novo significado. Tornou-se a capacidade de ser feliz sozinha, de conhecer aquilo que se passa internamente, de ter controle sobre a própria energia e de se familiarizar com as emoções.

Foi um processo intenso, longo e que, na realidade, ainda acontece, pois nos acompanha por toda a vida. O autoconhecimento é um estilo de se viver, transformando cada situação em escola. Tem seus altos e baixos, e não poderia ser diferente. 

Ao longo desses anos tive momentos incríveis de conexão comigo mesma, mas também ocasiões em que me vi perdida e confusa dentro do meu próprio universo. Fui diagnosticada com depressão e transtorno de ansiedade – e sei que a Yoga, a meditação, e também a Psicoterapia foram alicerces imprescindíveis para que eu não desmoronasse. 

Tive crises variadas, me decepcionei com o meu curso, com o mundo, e com a forma como as pessoas viviam o Direito. 

Perdi-me quanto ao meu propósito – o qual sempre acreditei ser o de agir como agente transformadora da realidade social, dentro dos limites possíveis. Pensei, muitas vezes, que eu não seria capaz de transformar nem mesmo os meus próprios pensamentos.

Hoje, tenho convicção de que somos guiados a viver o que precisamos para desenvolver, ou cultivar, qualidades necessárias para enfrentarmos os desafios que surgem, pois eles sempre surgem.

Quando percebo as pequenas fagulhas de lucidez e clareza da minha mente, sou capaz de sentir a conexão entre todas as experiências que já tive na vida. A minha vida é o único laboratório onde posso me experimentar.

Entendo que a faculdade de Direito abriu meus olhos para uma realidade além da minha bolha. Estagiando em um projeto chamado “Além da Culpa”, no qual trabalhávamos com jovens que haviam cometido atos infracionais – realizando círculos restaurativos e rodas de conversa – pude perceber que uma intervenção benéfica na realidade das pessoas abre a elas importantes novos horizontes. 

Percebo que para impactar positivamente a vida das pessoas não precisamos de muito. Às vezes, apenas tempo, espaço, ouvidos e alegria são mais que suficientes. Pude aos poucos entender, minimamente, o que é compaixão.

Hoje, sigo ainda com muitas incertezas, mas também com vontade de crescer e me tornar um ser humano melhor, com consciência das minhas imperfeições e também da minha inconsciência sobre vários aspectos.

Contudo, sei que me apoio em bases sólidas. Pude suspender os medicamentos para depressão e ansiedade, estou tendo oportunidade de começar um trabalho de Yoga com crianças na minha cidade e posso seguir com o coração em paz,  acreditando verdadeiramente no que faço, sabendo da profundidade desta ciência e, principalmente, por haver experienciado e sentido intimamente certas transformações.

Seguimos juntos na construção de uma sociedade cada vez mais consciente, menos violenta, e mais feliz. : )

*Carolina, 23 anos, graduada em direito pela UFJF, Reikiana, praticante de Yoga e Meditação, iniciante como instrutora de Yoga para Crianças – certificada pelo IEPY. Amante da escrita, crê que compartilhar vivências é uma das formas de nos unirmos enquanto comunidade.

Link: https://www.instagram.com/carolsaber/

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