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Austrália, onde a natureza pulsa – Por Catherine von Buettner

Austrália, onde a natureza pulsa – Por Catherine von Buettner

Nowmastê

No extremo norte da Austrália, até os corvos soam de um modo diferente. Seu grasnido sufocado tem um timbre mais alto e um ritmo mais rápido que o de seus primos maiores do hemisfério norte. Mas as aves são apenas um dos muitos elementos que fazem esta parte do país parecer algo saído de um conto de fadas. Conhecida como a Top End, ou extremidade de cima, a ponta norte  abrange algumas das regiões menos povoadas e mais climaticamente diversificadas do mundo – de estuários de água salgada e savanas áridas até fontes termais escondidas e picos intransponíveis. Estas paisagens foram celebrizadas pelo filme Austrália (2008), de Baz Luhmann. 

As narrativas antigas intensificam a atração quase sobrenatural desse lugar. Nos mitos aborígenes, ancestrais totêmicos percorriam a paisagem, espalhando uma trilha de notas musicais em forma de marcadores geológicos. Árvores, pedras, riachos, trechos de deserto, cadeias montanhosas – até mesmo pequenas tempestades de areia chamadas willy-willys, todos fazem parte da “pauta musical” da natureza. Cada criatura é conectada a um aspecto específico dessa geografia sagrada por uma linhagem de antepassados do “Tempo dos Sonhos”. 

Se estiver viajando por conta própria, comece pelo Warmun Roadhouse, pit stop na Great Northern Highway. Como outras paradas nos caminhos áridos do Top End, este é um ponto onde viajantes encontram comida, combustível e alojamento básico.

Na saída da cidade, o Parque Nacional Purnululu é um Patrimônio Mundial da Unesco que abrange a Bungle Bungle Range – formações rochosas de 20 milhões de anos que relembram gigantescas colméias. A paleta da arte aborígene é baseada nas tinturas naturais disponíveis na região, como o ocre da terra e a argila branca – os artistas do Top End estão entre os mais criativos da Austrália. Na cidade de Kununurra você poderá ver pintores em ação no ateliê Waringarri de Arte Aborígene. 

Além de Kununurra se estendem as planícies de East Kimberley, divididas em extensas fazendas de criação de gado. Um grupo de baobás e um muro de pedra assinalam a entrada da Home Valley Station, reserva de 250 mil hectares conservada para uso dos aborígenes. Partindo daqui, dirija rumo ao nordeste para chegar à planície de inundação do Rio Mary, na entrada do Parque Nacional Kakadu. Hospede-se no acampamento ecológico de Bamurru Plains, que tem uma coleção de arte aborígene moderna e um bar ao ar livre que serve vinhos australianos. Pedida imperdível é o cheesecake de sementes de acácia, sob a luz de lamparinas. Mais tarde, desabe sobre sua cama e ouça os wallabies saltando no mato lá fora.

Quer conhecer esse e outros destinos fantásticos com o olhar de Catherine von Buettner? Acesse o seu blog.

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Catherine von Buettner é reponsável pelo blog Meu Mundo Viajando e faz roteiros personalizados para todos os gostos e bolsos.

Twitter catherinevbl
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