As finanças também são humanas

Por Cristiana Dias Baptista*

Quando falo que trabalho com finanças pessoais as pessoas logo olham para mim e imaginam que eu tenho uma planilha na cabeça, que estou sempre falando de números e outras coisas tão áridas quanto.

A verdade é que, apesar de adorar uma planilha e de ter sido atraída para o assunto por minha facilidade com números, em pouco tempo descobri que finanças pessoais são um assunto tremendamente humano. Aliás, muito mais humano do que exato. Do contrário, colocaríamos toda nossa informação em um software de finanças e a vida estaria resolvida. Mas não é assim.

Como seres humanos, somos imperfeitos, falíveis e, muitas vezes, irracionais e por isso, ao contrário do que pregam as teorias econômicas tradicionais, nem sempre tomamos as decisões que irão nos trazer o maior benefício. Em várias ocasiões, por incrível que pareça, tomamos justamente a decisão oposta!

A coisa é tão complexa que fez surgir toda uma nova área de estudos, a Psicologia Econômica. E um de seus maiores expoentes, o psicólogo Daniel Kahneman, em 2002, recebeu o Prêmio Nobel de Economia. Isso mesmo, um prêmio de economia para um psicólogo!

Assim, com alguns anos de experiência e estudando mais a fundo a Psicologia Econômica, percebi que falar de finanças não é falar de números e planilhas, mas é falar de nós.

O que nos faz empurrar para o mês que vem o início de uma poupança ou encarar de frente as nossas contas?

O que nos faz gastar 300 reais (que não temos) em um sapato, quando a ideia era simplesmente ir ao cinema?

Por que conseguimos pagar 1000 reais na parcela de um carro, mas não conseguimos juntar esses mesmos 1000 reais se não temos a parcela?

Com o olhar humano, o planejamento financeiro passa a depender menos de uma planilha e mais do nosso entendimento do porque tomamos determinadas decisões.

Afinal, já conheci pessoas com superplanilhas que tinham os exatos mesmos problemas que alguém que nunca sequer colocou seus gastos em uma folha de papel.

Quem me conhece, muitas vezes pergunta: o seu trabalho é quase uma terapia? E eu respondo: É mais ou menos isso! 😉

cris

 *Cristiana Dias Baptista é economista, jornalista e planejadora financeira CFP (Certified Financial Planner).

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