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Apocalipse Style – por Carlos Walker

Apocalipse Style – por Carlos Walker

Carlos Walker

Por Carlos Walker*

Vá se acostumando. Seja quem atualmente você é. Ou está ficando. Ou o quê se tornará. Humano, andróide, clone ou básico robô. A moda adequada ao dia-a-dia já invadiu a guerra-dos-mundos. Notícias de terráqueos sempre provocam humores cromáticos, com predominância entre o  cinza-risível-tétrico e o  ébano-sarcástico-brilhoso.

Um empresário de nome latino-gótico, Miguel Angel Caballero, saiu  da Colômbia (óbvio ),para outros países, lançando a primeira rede de boutiques de roupas blindadas para homens, mulheres e até crianças. A partir do “seu pioneiro empreendedorismo” (risos), inúmeras grifes se multiplicaram.

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São roupas chegando a pesar  até mais de  dois quilos, com tecnologias inovadoras para a sua proteção. As linhas de Angel são várias, entre elas: Platinum, Gold, Classic. Cada uma, de acordo com o tipo de arma, que você está mais propenso a ser atingido, em função, claro, de seu setor de atividade e (a) moralidade representativas.

Pode até sobrar para inocentes, desavisados e desempregados. Mas não é o caso. A linha Platinum envolve dignatários, Presidentes, chefes de Estado ou de grandes quadrilhas, altos empresários. São roupas à prova de balas de pistola, fuzil, metralhadora e também de granadas e bombas caseiras.

Já nos EUA, país de insanidades bélicas, a empresa Oklahoma criou um cobertor à prova de balas, que as crianças podem usar como uma mochila para se protegerem, em caso de um tiroteio na escola.

As armaduras simbolizavam em tempos mais remotos, além da proteção do corpo, uma defesa espiritual. Sua anatomia emoldurava as formas da beleza física, adicionadas à força do poder e do carisma heróico. Alguns tecidos humanos ainda podem ser blindados: o têxtil, epidérmico, muscular, nervoso, ósseo. Em qual você se agarra?

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Já a linha Classic de Angel, traja os militares, Exército, PCC, CV, Polícia, Grupos de Elite ( não importa qual… ), Forças Aéreas e Armadas. As cores  são as eco-típicas, o verde oliva e o verde-camuflado-rajado. Você ainda adquire capacete e sobrebotas a preços bem acessíveis, como também roupas especiais para terrenos minados.

A humanidade veste aquilo que precisa camuflar ou aparentar. Tudo para se defender ou esconder aquilo que realmente é.

A roupa, desde o nascimento do Homem, veio substituir a parreira, aquela que tapava o “pecado original”. Depois, torna-se símbolo do autoaperfeiçoamento e reajustamento social. A pureza de ser, a partir do que há de se fazer, na aquisição de uma habilidade-técnica, grau de um ofício e etapa para uma profissão. A vestimenta traduzia também o pudor, os hábitos de vida e a asserção a uma nova comunidade de aprendizado

Além da moda bélica, somaremos em futuro breve, a  moda-cataclisma que  vai precisar confeccionar capas para raios ultra-violeta, e claro,  se tornará  o must  da proteção solar, já que o planeta vem rasgando a sua única, bela e esvoaçante capa de ozônio, nosso melhor  e mais natural guarda-sol  protetor.

Num futuro, não tão distante, quem sabe, estilistas-curandeiros-cyber mudarão nossas peles  através de cirurgias a laser  trocando-as por tecidos de jacarés,  rinocerontes, cascos de tartarugas ou  patas de elefantes! O  Dinosaur Fashion Week vai correr solto!

Num certo  tempo longínquo, dependendo dos tecidos, cores, acessórios e estilos, as roupas eram invólucros de identificação do carma a ser percorrido  pelas vias tortuosas da vida.

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Na epístola de São Paulo aos efésios, o vestuário dado aos cristãos  para enfrentar os adversários era o capacete da Fé, a armadura da Devoção, a espada do Espírito e as palavras despregadas do Evangelho, dardos fulminantes sobre o suposto “inimigo”.

No simbolismo arcaico, as armas se contrapõem aos monstros e dragões  assim como nos combates míticos, a arma é o objeto sacro em busca de mãos predestinadas. Serão as suas ou as minhas?

Nas milenares Artes Marciais, a arma não é apenas uma forma de auto-defesa mas o controle e equilíbrio de forças opostas que lutam dentro de nós mesmos.

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E se todas as empresas do ramo investissem em “armas-yogues” ? Nas prisões, nas periferias, nas favelas e  nos clubes do soçaite, nas escolas e igrejas, nas empresas e até nas ruas? Ah! Já sei….isso neutralizaria a insaciável fome capitalista por sangue e poder.

Hoje em dia estamos expectadores de uma Guerra Global de Titãs. Roupas e carros blindados não mais nos protegem. Estamos cegos, no oco escuro lutando por dentro da própria armadura. E a arma a ser enfrentada é a nossa mente, que em certos ângulos de desajustes  fabrica esta indústria de escombros humanos.

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Precisamos de uma roupa feita de um tecido futuro. Uma espécie de seda ectoplasmática. Como um espelho líquido. Que se incorpore e reflita os nossos sentimentos melhores e mútuos. E os transfigure todos no coração, na  humanidade. E siga em direção  às estrelas!

 

*Carlos Walker, IO Escola de Astrologia

Tel: 11- 97129-9876  – [email protected]

 

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