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Anos passam. A vida sinaliza. Tudo tem um tempo. Vida útil. Começo, meio e fim.

Anos passam. A vida sinaliza. Tudo tem um tempo. Vida útil. Começo, meio e fim.

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(Foto/ Rael Castro)

Por Fernanda Nicz*

Não, não falarei (só) de amor. Desta vez, o assunto vai um pouco mais além. Situações aproximam pessoas em determinados espaços. Situações + pessoas + espaços têm um tempo de sintonia.

A cada caminho escolhido, um novo mapa de oportunidades se apresenta: situações, pessoas e espaços. E cada ser, acolhe ou ignora.

Fato é que nada surge sem uma razão maior. E tudo o que surge dura exatamente o tempo necessário para provocar transformação (interna-externa). Tempo útil. Vive-se em sintonia – numa situação, numa relação ou num espaço – por um tempo. Depois, o que não se transforma, arrasta-se. Tudo tem um ciclo.

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Mas falemos mais sobre pessoas. Li em um livro que “alma gêmea não fica com a gente pra sempre. Ela vem, bagunça nosso coração, nos vira de cabeça pra baixo, nos faz rever valores, assumir posições, tomar atitudes, mudar de vida. Há encantamento e identificação. Depois, a alma gêmea segue seu caminho. E nós? Agradecidos, devemos seguir o nosso, com a certeza de que depois da passagem de uma alma gêmea, não mais somos os mesmos. Algo que já existia em nós (na essência) foi desencadeado durante a convivência com a alma gêmea”.

 Fantástico!

E, normalmente, não cruzamos apenas uma alma gêmea em nossa jornada. Explico: alma gêmea não é uma pessoa que completa outra “amorosamente”. Almas gêmeas são pessoas que passam pela vida de outras e provocam inquietações, encantam, encorajam e, principalmente, transformam. E na sequencia, sutilmente, saem de cena. Mudam de espaço ou não mais cabem em situações em que antes cabiam perfeitamente. Retiram-se (sabiamente) para que não haja apego nem dependência. Podem continuar por perto, mas não da mesma forma. Eis a grande dificuldade dos seres; aceitar que algo ou alguém que representava tudo e muito num passado recente, agora, já não é. Faz parte da história. A relação segue existindo. Apenas, não é mais a mesma, transformou-se (que bom!).

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Os seres demoram a aceitar e entender que a função, o dom, a troca, realizou-se com sucesso e então é hora de seguir. Tudo se disse e tudo se fez. Algo grande e eterno nasceu, eis a razão do encontro. E não há porque insistir para que a relação vibre, sempre, exatamente na mesma sintonia. O acalmar faz parte. Almas gêmeas vêm e vão – deixam algo e levam algo.

As paisagens mudam. Consequentemente, a alma (gêmea) muda. .Ou: a alma (gêmea) muda e pede novas paisagens. Expandir verdades, terras e horizontes, equilibra.

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Resumindo: a situação provoca o encontro de duas almas em sintonia. Há magia e há o tempo para realização da troca. Depois, há a incerteza (liberdade) do caminho novo. E seguindo, atento aos sinais e oportunidades, o ser vai construindo uma nova história. E, estando NO caminho, o mar se abre. Naturalmente e facilmente. A vida flui. E na estrada, surgem novas almas gêmeas, que vibram na mesma sintonia do novo momento.

Obrigada a todas as almas gêmeas que cruzaram meu caminho até hoje e também às que estão por vir.

Fernanda Nicz

*Fernanda Nicz é escritora, professora de kundalini yoga e escorpiana (ascendente em peixes e lua em câncer…tudo água, emoção à flor da pele!). Estudou cinema e jornalismo e viveu, além do Brasil, na Inglaterra, nos EUA, na Itália e, atualmente, está em Portugal.

Em 2014, criou o projeto Minideias (https://fernandanicz.wordpress.com) com o objetivo de provocar revisão de valores na sociedade, instigando e inspirando mudanças ao apresentar novas possibilidades de “estar no mundo” e diferentes “formatos de vida”. Andarilha/peregrina na eterna busca de personagens e paisagens inspiradoras, percorreu ecovilas e fazendas agrícolas a procura de simplicidade, natureza e minimalismo.  Depois de alguns meses na ecovila Tribodar (Alentejo), segue, agora, escrevendo o livro; metade romance, metade crônicas, de seu Minideias.

(Foto/ Rael Castro)

Veja comentários (2)
  • Nossa Fernanda, seu texto é lindíssimo!!!!

    MUITO Obrigado por contribuir para o meu entendimento num momento tão difícil da minha vida.

    Desde que posso me lembrar minha vida tem sido um turbilhão de medos e confusão; medo de perder pessoas queridas, de ser quem não nasci pra ser, enfim. Medo.

    Com dezenove anos de idade (atualmente tenho 25) conheci um Anjo chamado Fernanda (sua xará rsrs) e ela me ensinou tanta, mas tanta coisa que eu jamais conseguirei expressar o quanto isso me ajudou na vida. Fomos EXTREMAMENTE felizes durante esses seis anos, e eu nunca pude sentir tanto amor! Obviamente tivemos muito medo e desapontamento ao longo desse tempo, mas sempre tivemos um ao outro para acreditar. Não temos mais. (…)
    No momento não estamos mais juntos, decidimos nos afastar. As coisas simplesmente “foram acontecendo” sabe, e sentimos que não era mais pra ser. (…) Essa situação é muito dolorosa, mas de uma forma totalmente inexplicável sentimos que tem que ser assim.
    Eu sempre tive muito fé que algo “meio que” fica direcionando e nos dando dicas sobre o que temos que fazer, mas sempre fugi disso. Atualmente no entanto, através do Budismo, meditação e desapego tenho entendido um pouco mais sobre o que é o Amor e como ele se expressa de diversas formas no nosso dia a dia.
    Tenho que me amar pra ser amado, e isso sempre foi muito difícil pra mim.
    O seu texto, de uma maneira extraordinariamente linda e simples me mostrou mais do que isso, mostrou que almas gêmeas não necessariamente ficam “juntas pra sempre”, e aceitar isso não é fácil. A saudade é imensa e a vontade de abraçar maior ainda, mas também sei que nesse momento o que podemos fazer é nós respeitar e desejar com o peito aberto que o outro seja feliz, que possa continuar no seu caminho.
    Ainda estou muito confuso em relação ao entendimento da vida, sim, estou com medo do “futuro”. (…) Contudo, sei que é preciso focar o presente, e continuar lutando a crescendo.

    Desejo que eu e ela sejamos felizes, juntos ou não.

    Obrigado pelas palavras Fernanda Nicz. Que Deus e o Amor sempre te guiem!

    Grande abraço de uma pessoa se encontrando.

    • oi Felipe!

      fico feliz demais em saber que, de alguma forma, meu texto te tocou e ajudou-te a enxergar de forma diferente.
      Saiba que pra mim, acredito que pra todos nós, o grande desafio é o aprendizado do amor incondicional e do desapego. Não é fácil.
      A vida é uma eterna desconstrução e reconstrução de nós mesmos.
      Estou escrevendo sobre isso.

      grande abraço e obrigada por compartilhar teus sentimentos.

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