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Amo Meu Fazer – A história de Janaína Benke

Amo Meu Fazer – A história de Janaína Benke

Nowmastê

O Nowmastê mais uma vez tem o prazer de pulicar uma reblogagem da Revista Amo Meu Fazer (#AMF).  Vale a pena ler do começo ao fim e se inspirar. E depois, ir lá no AMF e ver todas as outras histórias lindas!

Karine Rossi

Quem separa corpo / e / mente

Mente!

Nada é tão UM quanto a gente

Uma vez, um amigo me falou sobre uma bailarina internacional que teve um problema em seu corpo e não conseguiu mais dançar. Disse só isso. E mesmo sem saber o que havia acontecido, me envolvi. Achei poesia um corpo dançante não conseguir mais dançar. Triste, mas poético.

Fiquei atraída por essa mulher e entrei em sua rede no Facebook. Isso faz alguns anos, e durante esse tempo, tivemos várias oportunidades de nos conhecer pessoalmente. Mas não dava certo. Não era a hora.

Quando a #AMF nasceu eu pensei: “agora sim vou saber o que aconteceu com a Jana”. E não podia ter sido mais bonito, valeu a pena esperar. Fomos até o Centro Terapêutico que ela tem em Extrema/MG – um lugar muito alto, acima das nuvens – para vê-la conduzindo uma vivencia em grupo. Experiência potente. Eu já a idealizava uma mulher forte. E depois que conheci sua história e vi seu trabalho focado no encontro das pessoas com elas mesmas soube que minha intuição estava certa.

Quando a vivência terminou, Jana dançou especialmente para nós. Já era fim de tarde. A chuva ameaçou mas não veio e o sol deitou dourado no céu. Lá em cima daquela montanha sentimos uma conexão com as coisas da vida. Nosso encontro foi coreografado com movimentos belos, ritmados, sincronizados. Como uma dança mesmo… a dança dos acontecimentos. Dá prazer perceber o balé da existência. Certo estava Nietzsche quando disse “E que seja perdido o único dia em que não se dançou.”

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Dançar sempre foi minha paixão, minha casa, minha janela para o mundo, minha meditação, meu refúgio, meu elo de conexão com a vida.

Conheça a história de Janaina Benke 
janaa2Eu tinha três anos de idade quando comecei a dançar, em Belo Horizonte, onde morava. Estudei clássico, contemporâneo, flamenco, jazz, ballet moderno, e conforme crescia, queria mais tempo e espaço na dança. O acordo em casa era assim: se eu fosse aluna nota 10 poderia passar o dia no ballet. Então, é claro, eu era.

Dançar sempre foi minha paixão, minha casa, minha janela para o mundo, minha meditação, meu refúgio, meu elo de conexão com a vida. Me profissionalizei bem cedo, aos 12 anos. O primeiro musical que participei foi “Aldeia dos Ventos” de Oswaldo Montenegro, no Palácio das Artes.

Vim para São Paulo, e aos 13 anos, entrei para o “Cisne Negro”, onde comecei enfrentar alguns problemas com a “brasileirice” estrutural do meu corpo. Eu não me adequava ao padrão esquelético das bailarinas e recebi um ultimato: ou eu emagrecia, ou estava fora da Cia. Então eu saí. E fui procurar uma dança que me aceitasse do jeito que eu era. Como trabalhava muito em musicais, dançando em Óperas no Teatro Municipal (adorava!) sempre buscava novos movimentos (internos e externos). Assim descobri as danças orientais, entre elas, a dança do ventre de Lulu Hartenbach.

Nessa época, a dança do ventre era algo exótico e raro em São Paulo. Me lembro que o camarim das bailarinas era uma verdadeira escola de mulheres autênticas, fortes, libertas, sensíveis, e eu ficava hipnotizada ao vê-las dançando.

Eu nunca saia. Por opção, não tinha muita vida social. Mas uma amiga bailarina levou seu amigo para me ver dançar e assim conheci meu primeiro namorado, meu marido há 18 anos. Foi a dança que promoveu esse encontro… sincronicidades da vida. 

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Me casei e fui morar na Alemanha, onde fui tocada pelo trabalho de Pina Bausch. Nele me redescobri como ser em movimento em uma dança poética e cheia de simbolismos, conteúdos internos e transformações intensas. Pina dizia que para ela não interessa como você se move, mas O QUÊ te move e me conectar com essa energia motriz foi muito profundo para mim.

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Sempre me interessei por espiritualidade e buscava entender algo na dança que, na verdade, não passa pelo crivo mental, não é racional. É o hemisfério direito do cérebro que intui, e dançando, eu compreendia os mistérios. Me fazia una com o universo, como se o sentido de tudo pudesse ser sentido com o corpo.

Em 99 fui mãe por um breve período; meu filho nasceu com um problema no coração e viveu pouco. Meu corpo sofreu muito com as mudanças da gestação e com o parto traumático. Me desconectei dele e pensei ter morrido para a dança. Como não conseguia mais dançar, me tornei professora e coreógrafa no Institut de Danse, com Eric Blanc, na Alemanha, na tentativa de me redescobrir.

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“Meu corpo sofreu muito com as mudanças da gestação e o parto traumático.

Me desconectei dele e pensei ter morrido para a dança.”

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Voltei para o Brasil, e em Curitiba, o médico que me tratava de uma depressão profunda me indicou a dança do ventre. Decidi voltar para me curar, e em apenas um mês, fundei o “Studio Arte em Movimento” – uma escola de danças para mulheres. Cada vez mais forte, eu sentia que meu foco não era a técnica, mas o movimento capaz de encontrar o caminho para si mesma. Isso me fascinava e eu amava acompanhar os processos de tantas mulheres que desabrochavam, floresciam na dança. Era lindo.

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Aí, em 2005, semanas antes do meu segundo filho nascer, eu decidi fechar a escola e viver o primeiro setênio do meu filhote como mãe em tempo integral. Ninguém entendeu meu desapego, afinal era uma escola muito bem sucedida. Mas eu pensava: fiz tudo isso sozinha, se quiser, posso fazer de novo quando for o tempo de voltar. Tive o Lucas, e logo em seguida, a Mayan, e fiquei babando minha cria por sete anos.

 Durante esse tempo viajei muito e em uma dessas peregrinações fui visitar meu cunhado monge no país de Gales, em um mosteiro hinduísta, o Skanda Vale. O guru (Swami) me convidou para dançar em uma festa e aceitei com toda a cara de pau de apresentar dança do ventre em um monastério, onde os monges fazem votos de castidade, pobreza, obediência e reclusão. Dancei tudo que sentia como se canalizasse os movimentos de kali, a mãe divina, e de Shakti – energia feminina em inúmeras facetas de deusas. Dancei minha luz e minhas sombras e me diverti com meu corpo dançante sem me importar se iam gostar ou não.

No dia seguinte, Swami veio conversar comigo. Era inverno e eu tinha ido a um puja (missa) em que ele entrava num lago quase congelado (marcava 10 graus negativos fora da água, imagina no lago!). Fazia seu ritual com uma concentração tamanha que nem sentia frio. Achei incrível sua conexão com a fonte de energia em si mesmo e comentei isso com ele. Para minha surpresa, ele disse que eu também conseguia silenciar minha mente, deixar o ego de lado e sentir o aqui e agora pleno e unificado enquanto dançava. Swami falou: “essa é sua yoga, sua meditação, você não precisa entoar mantras ou tentar buscar algo que já está em você. A dança é a sua conexão com o divino, então dance!”, e me agradeceu por lembrá-lo de que qualquer coisa pode ser meditação se for capaz de silenciar a mente e te reconectar com seu centro.

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Mudei para Bragança Paulista e busquei algo para voltar a trabalhar, algo que pudesse compartilhar, que fizesse bem e que beneficiasse o mundo. Via isso como missão nessa vida. Eu estava perdida, não queria mais abrir uma escola de dança, já não fazia mais sentido para mim. Foi quando encontrei nas meditações tântricas um novo olhar para minha busca de conexão com a espiritualidade através das artes do corpo. 

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“O movimento é como o medicamento, a meditação e a metáfora. Juntos, descascam as camadas, as máscaras caem, e dançamos até desaparecer.”

Entrei para o Centro Metamorfose e logo eu já estava facilitando grupos, coordenando a formação de terapeutas tântricos, dando workshops no Brasil e na Europa. Mas em novembro de 2013, a vida me mostrou que era hora de seguir adiante com autonomia e liberdade; largar as raízes que tanto honro e abrir as asas para novos voos. Assim nasceu meu novo trabalho, fruto das experiências de toda minha jornada, na qual as artes do movimento sustentam a conexão com a vida em plena consciência.

Nosso Centro Terapêutico fica no Recanto Lakshmi  – um sítio da minha família em Extrema, Minas Gerais. O lugar é lindo! Tem água de poço, energia solar, horta orgânica, lagos, grutas, jardins de pedras… é uma terra abençoada nas montanhas das mantiqueiras, dois mil metros acima do nível do mar, acima das nuvens, bem pertinho do céu.

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Durante os Workshops trabalhamos com Ressonância Energética, Danças Meditativas, Meditações Ativas (Osho), Danças Orientais de Transe, Soul Motion, Terapias Integradas de Respiração, 5 Rythms (Gabrielle Roth), Esalen Massage, Tanztheater (Pina Bausch), Dança Arquetípica de Isadora Duncan, Touch Life Massage, Qi Gong, Rebirthing, e as 112 meditações descritas no Vigyan Bhairav Tantra de Shiva, de 5000 anos atrás – literalmente traduzindo, “técnicas para se ir além da consciência”.  Meu fazer é compartilhar com os grupos essas diversas técnicas de meditação para silenciar a mente e acessar o poder do coração, elevando o padrão vibracional do corpo em seu potencial de cura e transcendência. 

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Nas vivências que facilito chegam muitas pessoas cheias de traumas, bloqueios, gente que sofreu abuso. E acompanhar o processo delas, sua transcendência, me inspira; é uma honra e um prazer contribuir nessa jornada de cura e libertação, de despertar a consciência do amor vibrando em cada célula do corpo, acessando a sabedoria ancestral que nossos genes carregam. Corpo livre, mente sana, alma em paz.

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Precisamos fazer bem ao nosso corpo, purificar nossos relacionamentos, usar a nossa mente para a liberdade criativa. Temos que livrar nossa alma do ego e empreender o caminho espiritual para sermos inteiros. A pessoa inteira é uma pessoa inspirada… ela encarna o espírito. Para isso é preciso mexer. A doença é a inércia. A cura é o movimento. O movimento é como o medicamento, a meditação e a metáfora. Juntos, descascam as camadas, as máscaras caem, e dançamos até desaparecer.

Sabe aquela história do carvão e do diamante? Então, diamante já foi carvão.

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Digo isso, pois esse processo é comum a todos os seres viventes nesse planeta. E assim como o carvão entra em brasa perto do fogo e se esfria à distância, nós nos beneficiamos da energia provida pelo encontro entre pessoas com diferentes virtudes e que estão na mesma sintonia de busca. Há vários experimentos dos campos morfogenéticos, nos quais a informação é compartilhada simplesmente por estar na presença. Em um grupo, os processos são potencializados, a energia fica muito alta e todos se beneficiam. 

Eu facilito, canalizo o trabalho. Mas é um trabalho em grupo, do grupo e para o grupo. Estamos todos juntos nessa jornada. Muitas pessoas se aproximam de mim como se eu tivesse alguma aura de mestre ou guia espiritual. E eu sempre digo que sou só a moça que coloca as músicas para eles dançarem!  Explico que sou somente quem facilita o encontro delas com elas mesmas e que cada uma só vai até onde se permitir. Estou lá para dar suporte, acolher, levantar o tapete que encobre a verdade mais profunda para que vejam seus conteúdos internos com mais clareza. Eu apoio os processos, mas a cura vem delas mesmas.

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E são muitas curas, muitas transformações, dissoluções, alegrias, êxtase, muita comunhão, muito amor. Como não se beneficiar dessa partilha? É uma bênção… e eu me curo junto.

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“Explico que sou somente quem facilita o encontro delas com elas mesmas e que cada uma só vai até onde se permitir. Estou lá para dar suporte, acolher, levantar o tapete que encobre a verdade mais profunda para que vejam seus conteúdos internos com mais clareza. Eu apoio os processos, mas a cura vem delas mesmas.”

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“É uma bênção… e eu me curo junto.”

 

 #AMF

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