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Afinal, meditar pra quê?

Afinal, meditar pra quê?

Paula Zogbi

Eu vou compartilhar com você um ponto de interrogação que me acompanhou durante anos em busca de um sentido para meditar.

Comecei como grande parte das pessoas que conheço e hoje também meditam: experimentando as mais diversas técnicas. Umas bastante ativas, outras, bem paradas. Mas lá no fundo, a dúvida continuava batendo. Afinal, aonde isso ia me levar? Para que, afinal, estava fazendo tudo aquilo?

A princípio confesso que fui atrás porque li ou porque “os outros”, ou alguém disse que era bom. E não tem muito outro jeito, não. Mesmo em algo que acontece tão lá dentro é muito difícil encontrar um estímulo que não venha de fora.

O fato é que fui experimentando e era um bocado difícil meditar. Essa é a mais pura verdade. Até mesmo quando consegui finalmente ultrapassar a enorme barreira dos cinco minutos e já conseguia ficar um tempo bastante razoável, eu não chegava em lugar algum.

Primeiro lampejo de luz: percebi que eu estava procurando chegar a algum lugar. Caída esta ficha, deu-se início a uma série de insights:

  • Eu estava também tentando realizar uma técnica e não uma entrega.
  • Eu estava tentando fazer a meditação que o outro ou os outros faziam. 
  • Eu estava tentando parar de pensar a todo custo.
  • Eu estava buscando um resultado toda vez que sentava  na postura.
  • Eu achava que só podia meditar se estava na postura.
  • Eu achava primordial ter um mantra.
  • Eu achava, buscava, tentava.

Quando parei com tudo isso, enfim, aconteceu.

Me dar conta que eu estava repleta de porquês, querendo um monte de explicações e ainda por cima não assumindo para mim mesma que eu estava assim, não me permitia largar mão do controle. O mental nesta hora é um tremendo de um controle-remoto. Toda hora fica mudando de canal.

Então vamos lá, vou te fazer a mesma pergunta que fiz para mim:

Afinal, você é essa pessoa que precisa de um arsenal de informações, justificativas, ver pra crer, ou seja, uma controladora como eu era? Ou realmente já está pronta para sentar e se entregar?

Cuidado com a sua resposta. Não é para mim que você está respondendo.

Se você se enganar, muito provavelmente você vai até ficar na posição. E duas coisas podem acontecer: se estiver com um grupo não vai ter muita coragem de assumir que não vê a hora que a prática termine, mas vai dizer que atingiu o nirvana… (seu ego não vai permitir o contrário, com raras exceções); ou, se estiver só, daí sim vai assumir que isto não é mesmo pra você e dois minutos vão parecer uma eternidade, e nunca mais vai querer praticar.

Chegará à conclusão de que este negócio de meditar é coisa pra monge, para outra vida, mas, para esta, definitivamente, não!

Portanto, o primeiro a fazer é olhar no espelho da verdade, observar-se com muita honestidade a fim de identificar sem julgamentos, sem ficar dizendo pra si mesmo o que é bom ou ruim. Apenas observar.

Se você conseguiu fazer isso, apenas se observar e ser absolutamente honesto consigo, vou te dizer uma coisa:

você acabou de meditar.

Na próxima edição quero mostrar a você que a princípio, concordo, parece difícil, sim. Mas uma vez que você acessar esse espaço só seu, ainda desconhecido, mas que te reserva tantas preciosidades, garanto que não vai sentir os minutos passarem. Ou, quem sabe, até mesmo horas.

Até breve

Namastê!

Paula Zogbi

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