Aceitar é o primeiro passo para a mudança

Por Ana Carolina Bortolini*

Somos todos ocos. É isso mesmo que você leu, nós somos ocos… todos nós.

Nascemos assim, viemos ao mundo com um enorme espaço dentro de nós onde gostamos de acumular “coisas”. Agora, pensa comigo, se nascemos com esse espaço todo para guardarmos as coisas mais lindas que encontramos no nosso caminho por que insistimos em preenche-lo com todo o tipo de sentimentos ruins como mágoa, ódio e rancor? Por que nos apegamos tanto a esses sentimentos ao invés de apenas deixá-los ir?

E essa pergunta é mais importante para mim do que para você, acredite! Eu costumava manter o espaço dentro de mim repleto de tralha, ia as empilhando com o maior cuidado, uma sobre a outra, formando um muro de desculpas, crenças e bloqueios. E não se engane, sei bem como guardar uma mágoa, meu ascendente é escorpião, meu bem! Então, um belo dia a gente acorda e, ué, quem é essa pessoa me encarando de volta no espelho? Onde está a menina de sorriso fácil e bom humor constante? Quando foi que deixei de ser eu, e mais difícil ainda, como faço para voltar a ser eu?

“Então, um belo dia a gente acorda e, ué, quem é essa pessoa me encarando de volta no espelho?”

E foi quando vi tudo isso que, surpresa, a coisa piorou. Isso mesmo, ficou pior! O vazio era enorme e a sensação de estar sozinha e à deriva me deixava apavorada. Era chegada a hora de pôr em prática um pequeno mantra (ao menos é assim que o considero) que havia aparecido para mim há algum tempo, mas que eu relutava em aceitar, “Eu entrego, confio, aceito e agradeço”.

Eu entrego essa situação, meu destino, minha vida ao universo (ou Deus, ou à existência). Eu confio que ele fará o que for melhor para mim, que ele leve o que não é necessário e traga o que é meu por merecimento. Eu aceito tudo o que acontecer, com o coração aberto e amor. Eu agradeço por tudo o que passei, pelo crescimento decorrente disso e pela minha existência. Foi então, depois de uma noite que, descrente de tudo, entreguei.

Se esse texto fosse um filme, nesse momento a tela ficaria branca e depois apareceria eu, com um vestido branco, correndo na areia de uma praia de águas cristalinas e sorrindo o maior sorriso que você já viu uma pessoa ser capaz de dar.

Ah, mas Ana, que fácil isso! Sim e não. Sim, teoricamente é fácil e só depende de nós. Não, é difícil deixar todos aqueles sentimentos menores do que eles realmente são e ver as coisas como realmente são.

Essa entrega não chegará a você até que você esteja pronto. E às vezes isso demora. E o mais importante, esse é um exercício constante, se você não tomar cuidado, continuar entregando e se nutrir de amor, quando perceber, aqueles sentimentos guardados a tanto tempo voltarão. Porém, não há o que temer, a vida é uma balança, e você deve manter o lado do amor sempre mais cheio.

*Ana Carolina Bortolini acredita que apenas através do amor é que podemos mudar o mundo. É membro idealizadora do blog Ser e Só, onde compartilha suas experiências em busca dela mesma, sendo ela quem for. Sarcástica, bem humorada e apaixonada pela confeitaria, procura melhorar o dia a dia das pessoas que ama com bolos, brigadeiros, risadas e Beyoncé.

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