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A trégua do guerreiro – Por Paula Zogbi

A trégua do guerreiro – Por Paula Zogbi

Paula Zogbi
Desde que me conheço por gente me vi guerreira. Minha história de vida não me deu muita escolha. Ou seria ou seria.
O fato é que todo guerreiro não tem trégua. Ou pelo menos acredita que não tem o direito de. Se vê vestido em armaduras, pronto para as batalhas internas e  externas. E não tem parada.
Até nos livros e filmes raramente os vemos entregues,  desmotivados, emotivos, em prantos. Os vemos feridos, mas, na maioria das vezes, prontos para retornar à batalha.
guerreiro
Outro dia, eu, eterna guerreira, me vi bastante desmotivada, enfraquecida, sem vontade alguma de ir à luta. Naquele dia só queria chorar.
Uma pessoa querida me ligou e disse justamente o que sempre digo a mim mesma: levante, não se entregue, você é forte.
Neste dia eu me ouvi mais profundamente. E a voz dizia algo diferente do costumeiro. Dizia que não. Que eu precisava me entregar àquele momento, sim.
Desliguei o telefone e chorei até. Observei minhas dores. E as acolhi com doçura. Não fiquei buscando explicá-las, defini-las, muito menos julgar se estavam certas, erradas, adequadas.
Me dei todo o direito do mundo de não estar a fim de ir em frente naquele momento.
Percebi o quão importante é poder ser frágil por um dia, dois, poder respirar, expirar, botar tudo pra fora. Fazer reciclagem!
Fragilidade
Isto feito com amorosidade (como habitualmente fazemos por quem amamos, mas não para conosco mesmos), a vontade voltou, a força veio de verdade, a coragem revigorada.
Todos temos nossas batalhas. 
Elas norteiam nossos propósitos.
Porém, as tréguas são parte integrante das conquistas.
Acolha sua verdade, seja ela qual for.
 
Até a próxima,
 
Paula Zogbi
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