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A Sexualidade Sagrada

A Sexualidade Sagrada

Tales Nunes

Por Tales Nunes*

Toda a manifestação é a expressão criativa do corpo da Deusa. Um átomo que gira, o perfume de uma flor, a brisa da manhã, as cores de um pôr-do-sol, o sopro da respiração, tudo o que nos toca é expressão do sagrado.

A maneira como nos relacionamos com a sexualidade pode revelar a forma como nos relacionamos com a Vida. Quando separamos a sexualidade do amor, ela facilmente se torna um veículo de ampliação e reforço de nossas ansiedades e frustrações. Separar a sexualidade do amor, é como tentar separar a devoção do sagrado. A relação sexual deveria ser, como todas as nossas ações, uma expressão da nossa devoção, bem como um veículo para o reconhecimento da presença do sagrado em tudo.

A troca que acontece no ato sexual nos faz passear pelos diversos rasas, sabores da Vida. O toque, o carinho, a presença do outro, espelho, desperta em nós uma miríade de sensações e de emoções. Esse mergulho só é possível se tem a entrega como guia, seja em cada toque doado ou recebido. É a entrega que permite o fluxo da descoberta amorosa. Ela é possível apenas quando há intimidade e confiança. Quando não há entrega e confiança, há distância, e a ansiedade permanece como pano de fundo, mesmo que inconsciente.

Na relação sexual não há domínio de um sobre o outro, não há mais forte e mais fraco, em determinado momento sequer há masculino e feminino, o que rege e compõe o momento é o ritmo da entrega mútua. Essa relação é uma oportunidade especial de prática espiritual e de autoconhecimento. A intimidade desse contato é um espelho da forma como nos colocamos na Vida. Há medo da entrega? Há distâncias em relação a si mesmo refletidas no outro? Há vergonha de se mostrar? Há vontade de domínio?

Quando a outra pessoa nos doa a sua presença plenamente, temos a oportunidade de dissolver qualquer distância, qualquer diferença na plenitude do encontro. Quando ela oferece sua aceitação plena, está nos oferecendo o contato amoroso. Ela exibe um reflexo do que somos essencialmente e, na abertura de uma aceitação plena, somos entrega à vida, apreciação da existência e da força criativa da manifestação.

Quando a relação sexual se torna uma experiência de entrega e de encontro, ela se revela um ato de devoção. Um caminho através do qual reconhecemos o amor como fundamento de toda a existência. A relação se torna um veículo de apreciação do outro e de si mesmo como sagrados, como não separados do fluxo da Vida.

Quando há essa apreciação verdadeira, cada ato de nossas vidas pode se tornar uma oração e um oferecimento. Pois a barreira entre o sagrado e o profano foi rompida e toda a Vida pode ser apreciada como uma expressão criativa do amor.

*Tales Nunes é yogi, escritor, sociólogo, graduado em psicologia e mestre em Antropologia, com dissertação escrita sobre a representação do corpo no Yoga. Foi editor dos Cadernos de Yoga durante cinco anos. Foi diretor executivo da Aliança do Yoga por dois anos. Publicou o livro o “Yoga e o Ser”, em 2008 e o “Brilho Súbito” em 2011. Tales já ministrou Formação em Yoga em Aracaju, Fortaleza, Salvador, Cuiabá, Campo Grande, Goiânia, Brasília e durante três anos como projeto de extensão na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. Atualmente ministra a Formação em Yoga em Florianópolis e workshops pelo Brasil.

Autor do livro “Chakras: força conhecimento e transformação” e do livro de poesia “Brilho Súbito”.

Para mais informações: www.vidadeyoga.com.br

Imagem de Shivani Aggarwal – http://artofshivani.weebly.com/shiva-shakti-series.html

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