A Prática da Vida Integral: como trazer plenitude e integralidade para o seu dia a dia

Por Gabi Picciotto*

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Nós como seres humanos e como sociedade estamos constantemente nos transformando e evoluindo.

Se de um lado nos últimos 30 anos tivemos descobertas e avanços incríveis, de outro as diversas possibilidades e desigualdades trouxeram uma grande complexidade para nossas vidas. Seja na esfera social com crises políticas, econômicas, religiosas e ambientais, como no âmbito individual em que conseguir uma vida plena e equilibrada não é tarefa fácil.

Em paralelo, com o advento da globalização, os mais diversos tipos de informação e conhecimento podem ser acessíveis por nós independente do local em que vivemos. Ou seja, neste exato momento, a soma total do conhecimento humano está disponível para nós – incluindo desde a sabedoria e a reflexão das antigas tradições até os mais modernos avanços científicos.

Mas como utilizar toda essa informação a nosso favor e não só entender conceitualmente o que traria plenitude para nossa vida, mas também ser capaz de aplicar isso no nosso dia a dia?

É exatamente isto que a Abordagem Integral, criada pelo grande pensador Ken Wilber, objetiva fazer. Recorrendo à ciência, à religião, à psicologia, ao desenvolvimento humano, à filosofia e a dezenas de outros campos, esta abordagem é um modelo revolucionário para a compreensão de nós mesmos e do mundo em que vivemos.

Ken Wilber, após anos de estudo sobre o ser humano e recorrendo a renomes como Buda, Einstein, Freud, Jung, Goleman, Piaget, Aurobindo, Kegan e muitos outros, criou uma “Teoria Integral de Tudo”, uma metateoria composta de diversas teorias, um mapa formado a partir de outros mapas, que nos ajuda a ter uma nova compreensão do ser humano e da realidade que o circunda.

Este mapa é formado por 5 elementos simples e profundos, capazes de nos ajudar de forma holística e sustentável em nosso desenvolvimento pessoal, são eles: os quadrantes, linhas, níveis, estados e tipos. Estes 5 elementos não são apenas conceitos teóricos, mas aspectos de nossa própria experiência, atributos de nossa consciência que co- ocorrem em todo e qualquer momento.

Para tonar todos esses conceitos mais palpáveis e não só possibilitar que pensemos de forma integral, como incorporemos uma visão integral em nossas vidas cotidianas, foi criada a Prática da Vida Integral ou PVI.

A Prática da Vida integral, como o nome indica, é o aspecto prático da Teoria Integral, é uma forma de entender e aplicar conceitos, métodos e práticas de todas as grandes tradições para cultivar uma vida mais plena e iluminada.

Essa prática é baseada no trabalho de quatro módulos centrais (corpo, mente, espírito e sombra) e outros complementares (ética integral, relacionamentos integrais, comunicação integral, trabalho, transmutação de emoções, sexualidade integral e maternidade/paternidade integral).

Os módulos centrais são o ponto de partida universal da PVI, pois além de estarem relacionados com as dimensões primárias de nosso ser individual, não exigem nada nem ninguém além de você para realizá-los.

Na sequência, serão descritos cada um desses 4 módulos centrais e dicas de como trabalhá-los.

Módulo do Corpo:

Esse módulo diz respeito ao nosso eu exterior e sugere o trabalho com nossos 3 corpos, isto é, corpo grosseiro, sutil e causal.

O corpo grosseiro diz respeito ao nosso corpo físico ou material, o corpo de carne e osso, órgãos e células.

Já o corpo sútil está relacionado a vários tipos de energia, muita vezes chamados de chi, prana e outros sistemas sutis. É em certo sentido mais livre pois não está limitado por estruturas físicas.

Por fim, temos o corpo causal que é um corpo imóvel e silencioso, infinito que desafia a descrição e as categorias conceituais. É a corporificação energética da consciência, é a abertura em que todas as experiências se dão. O domínio causal é a causa e o apoio a partir do qual as energias e corpos sutis e grosseiros podem surgir. É intimamente presente como a fonte mais profunda de você.

A PVI sugere que devemos fazer pelo menos um exercício para cada um dos nossos três corpos regularmente, a seguir são listados exemplos de práticas para cada corpo.

Corpo grosseiro: levantamento de pesos, esportes (esqui, basquete, tênis, vôlei, futebol entre outros), exercícios aeróbicos (corrida, bicicleta, natação), danças ou movimentos corporais mais livres, flexões, abdominais, agachamentos, entre outros exercícios que utilizam apenas o peso do corpo.

Corpo sutil: yoga, práticas respiratórias, T’ai Chi, Qigong, Aikido, Rolfing, práticas de visualização, Reiki, Acupuntura, energização de chakras, alinhamento energético.

Corpo causal: praticar o estar presente ou mindfulness nas atividades do dia a dia, meditação de testemunhar seu estado presente e outras práticas meditativas, realizar rezas contemplativas ou orações.

Módulo da Mente:

O módulo da mente diz respeito à prática de assumir novas perspectivas atuando em duas dimensões básicas:

  • A prática de aumentar a capacidade de assumir perspectivas mais complexas e precisas
  • A prática de expandir a estrutura mental que você usa para organizar essas perspectivas.

A forma principal pela PVI de aumentar a nossa capacidade de assumir perspectivas, é o estudo da Teoria Integral, isto é, daquele mapa composto de 5 elementos.

O objetivo do módulo mente é nos trazer a atenção para estar continuamente buscando novos conhecimentos e saberes, despertando assim para perspectivas novas e mais amplas.

Exemplos de como praticar esse módulo: estudar teoria integral, ler livros ou estudar assuntos de seu interesse, discutir e debater com outras pessoas, experimentar arte, viajar, fazer cursos, escrever e/ou manter um diário, observar como você constrói significado.

Módulo do Espírito:

Esse módulo tem seu foco no que poderíamos chamar de espiritualidade essencial, ou seja, o cerne dos ensinamentos, prescrições e práticas derivadas das antigas tradições de sabedoria, mais o insights oferecidos pela modernidade, pela pós modernidade e pela Teoria Integral.

Isso não nos confia a nenhuma forma específica de prática, não se trata ter que meditar ou orar de uma certa maneira, nem mesmo de acreditar em algum deus.

Apenas sugere a prática e dedicação a determinados tipos de atividades para ter acesso a certas experiências e percepções.

Muitos de nós já fomos tocados pelo Espirito em algum momento da vida. No sentido de passarmos por uma experiência, não dual, de união com o todo. Você pode ter passado por fortes experiências de: unidade, forte intuição, amor, graça, luz e iluminação, êxtase, liberdade, flow ou sincronicidade.

Quando passamos por algo assim, isso tende a nos inspirar de uma forma diferente, nos leva a querer ter até mais contado com isso.

Muitos passamos a ter uma sensação subconsciente ou consciente de uma existência humana mais feliz, mais amorosa e iluminada, uma intuição de realidades e possibilidades mais elevadas, um interesse por uma forma de vida mais rica e profunda.

E essa intuição floresce facilmente num interesse pela prática espiritual. Há inúmeras práticas espirituais: meditação, oração, prece e gratidão; canto e danças espirituais, exercícios de respiração, adoração, celebração, criar arte sacra, fazer oferendas, realizar troca compassiva, participar de uma comunidade espiritual, entre outras.

A PVI não impõe nenhuma prática em específico, apenas sugere que você escolha o que faça sentido pra você e siga continuamente.

Módulo da Sombra:

A sombra diz respeito ao “lado escuro da psique”, a todos aqueles aspectos de nós mesmos que desprezamos, rejeitamos, negamos, escondemos de nós mesmos, projetamos nos outros ou não reconhecemos de uma maneira ou de outra.

Na linguagem da psicoterapia, a sombra é chamada de “inconsciente reprimido”- reprimido porque a empurramos ou forçamos para fora da consciência, e inconsciente por que não temos consciência dela!

Fomos condicionados a temer o lado escuro da vida, assim como o nosso.  Mas, apesar de ignorar ou reprimir esse lado sombrio seja normal, correr da sombra irá apenas intensificar seu poder.

O propósito do trabalho com a sombra é desfazer essa repressão e reintegrar a sombra com o objetivo de melhorar a nossa saúde e clareza psicológicas.

Um prática muito recomendada pela PVI, é o chamado Processo 3-2-1 da sombra. Esse processo parte do princípio que nossa sombra começa com algo em nós que rejeitamos, acabamos por projetar em outras pessoas e por fim nos distanciamos completamente daquilo como se fosse um isto ou algo exterior e longe de nós. Em outras palavras, essa formação da sombra começaria na 1a pessoa, passaria para a 2a pessoa e terminaria na 3a pessoa. O recurso proposto pela Teoria Integral é o de reverter esse processo e dai o Processo 3-2-1 da sombra.

Este processo muda a perspectiva para identificar projeções rejeitadas ou material de sombra e reintegrá-los à percepção consciente.

Outras práticas para sombra seriam: fazer um trabalho com sonhos, manter um caderno de observações diárias sobre suas percepções relativas à sombra, fazer psicoterapia, fazer terapia familiar e de casal, fazer uma terapia pela arte, música ou dança, fazer algum trabalho focado em suas emoções.

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*Co-criadora do Curso Integral Way, Gabi é Master Coach Integral, especialista em propósito de vida e na utilização da abordagem integral como alavanca de mudanças sustentáveis em pessoas e organizações. Fundadora do The Sun Jar, atua como coach, palestrante e consultora integral apoiando pessoas e organizações no alcance de uma vida mais plena e com sentido. Gabi também é colaboradora do Nowmastê. Para mais informações acesse: www.thesunjar.com

Esse foi um breve resumo sobre a Teoria e Prática de Vida Integral. Se você quiser saber mais sobre a Abordagem Integral e cada um dos 5 elementos, deixamos um convite para que se inscreva no Mini Curso Gratuito Integral Way

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