A Imagem Corporal – elemento chave na formação da identidade

Nowmastê

Por Manuela Ferreira de Sousa*

Photo via Visual Hunt
Photo via Visual Hunt

A imagem corporal corresponde à representação ou figuração mental do corpo, e se organiza como um núcleo central da personalidade.

Corresponde a uma intuição de conjunto que temos de nosso corpo, e sua organização está inter-relacionada à construção da identidade, se dando paralelamente à formação da consciência.

Por meio da apercepção do corpo, nos diferenciamos do mundo externo. Vemos partes da superfície de nossos corpos, temos sensações que vêm dos músculos, das inervações e das vísceras; e impressões táteis, térmicas e de dor.

Estão incluídas na imagem corporal representações psíquicas conscientes e inconscientes, e a forma como estruturamos esta imagem é de vital significação na localização e manutenção de sintomas corpóreos e fator importante na satisfação que temos com nosso corpo.

Quando uma pessoa obesa emagrece, muitas vezes mantém a imagem de um corpo volumoso e continua, por exemplo, virando de lado ao passar por uma porta. Neste caso, podemos dizer que ainda não se deu uma mudança adaptativa da imagem corporal, e pode ser um fator que dificulte a manutenção do novo peso.

Vivemos em um mundo no qual a moda e a beleza física são valores de extrema importância. Tais exigências culturais refletem na formação de imagens do corpo na psique. Existe uma obsessão pela saúde e pelo corpo, que se encontra superinvestido. Numa época de regimes alimentares, malhação excessiva, culto à juventude, na qual tratamentos cosméticos tornam-se rapidamente obsoletos; ficamos alienados e insatisfeitos, sempre em busca de nossa imagem idealizada.

O principal motivo que leva uma pessoa a submeter-se a tratamentos estéticos é a necessidade de obtenção de afeto e aprovação de outras pessoas pela melhora da autoestima, seja ele consciente ou inconsciente. A autoestima corresponde à satisfação do indivíduo com ele mesmo, e está intimamente relacionada à imagem corporal. Envolve uma valoração, que pode ser positiva ou negativa, e encontra-se mais elevada nas pessoas que têm correspondência amorosa e se relacionam bem com o próprio erotismo.

Daí a importância de, desde cedo, as crianças serem tocadas e vistas de forma positiva. As queixas relacionadas à autoestima, tão frequentes hoje, estão profundamente ligadas à formação da imagem corporal.

No estudo das desordens alimentares, existem evidências que a superestimação do tamanho do corpo não consiste apenas de um fenômeno perceptivo, mas sofre grande influência das variáveis cognitiva, afetiva e cultural, somadas à história corporal. O principal sintoma na Anorexia Nervosa é uma severa distorção na imagem corporal. Como exemplo, acompanhei uma menina que, apesar de ter seu peso ao redor dos quarenta quilos, descrevia-se como obesa, tendo “pelancas na cintura e bolas nos quadris”.

A formação da motricidade influencia a imagem corporal e vice-versa. Todo toque provoca uma imagem mental do ponto tocado, e tais imagens resultam na localização tátil. Na constituição do esquema corporal, além do tônus, a imagem corporal é determinante pelo caráter afetivo que
agrega. Os movimentos expressivos, a Yoga, massagens e a dança atuam no modelo postural, redefinindo a imagem corporal. Por isso importância da educação dos movimentos no desenvolvimento infantil.

Podemos pensar que o corpo energético, formado pelo chi (força vital) ainda faça parte da imagem corporal. Na medicina oriental, a vitalidade do organismo está relacionada a essa energia que permeia o corpo, possibilitando não somente a manutenção das funções vitais, mas todas as nossas ações e sentimentos.

A imagem corporal é alterada em função das roupas e adornos, por ser lábil. A voz, a higiene, os odores, as fezes e o sangue menstrual têm relação com a imagem corporal, mesmo quando os últimos já estão espacialmente separados do corpo. Temos leves alterações em nossa imagem corporal quando usamos maquiagem, salto alto, quando fazemos esportes ou em função de alguma roupa que nos faz sentir confortáveis.

Essas alterações se dão de forma mais ampla em eventos específicos como a gravidez e o sofrimento físico, bem como nos ciclos de vida, tendo como exemplo a perda da acuidade auditiva, visual e tátil ao envelhecermos.

Muitas outras relações podem ser feitas com a imagem corporal. O importante é que seja relacionada não apenas a uma perspectiva estética, mas como fator importante no desenvolvimento humano, e determinante na formação das doenças ou na manutenção da saúde.

Manuela Ferreira de Souza

Manuela é psicoterapeuta, com grande experiência em atendimento clínico, e atende nos Jardins, SP. É Mestre e Doutora em Psicologia Clinica pela PUC-SP, no núcleo de Psicossomática. Foi profa da Universidade Paulista – UNIP por 20 anos, e do curso A Imagem Corporal na Contemporaneidade do Cogeae da PUC-SP por 10 anos. Atualmente amplia sua visão na Antroposofia, tendo concluído o curso para profissionais da área da Saúde na ABMA em 2014.

Manuela Ferreira de Sousa – [email protected]

Vá para cima