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2014. Uma rosa poética por Carlos Walker

2014. Uma rosa poética por Carlos Walker

Carlos Walker

Rosa The End

Por Carlos Walker*

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O caos nosso de cada dia. Aqueles problemas rotativos, os congênitos e os adquiridos, que dividem a nossa cabeça em mil canais obrigando-nos a zipá-los um a um, enquanto o vídeo do tempo perde seu controle. Indiferentes à beleza de tudo, da natureza aos fenômenos da vida, lá vamos nós: tubo, tronco e tentáculos, cheios de neuroses acústicas e outras, aquelas em versão eletrônica, cada vez mais numerosas. Até a cabeça da Medusa assusta-se!

E eis que, num átimo de tempo, avisto aquela rosa! Provavelmente a minha rosa! Alma vivente abrindo a sua boca e cantando em sutil frequência, só para mim. Por dentro alva, luminescente, até subir amarelíssima às bordas de suas pétalas. Rosa de ouro flamejante respingada ainda de orvalho. Meu pequeno sol caído aqui distraidamente neste canteiro enquanto vou caminhando sob os raios deste mega guarda-sol estelar.

Nunca um símbolo,  ao mesmo tempo, tão comum e tão rico. Tão simples e tão múltiplo. Desabrochando seus significados em talos humanos e divinos. A Rosa Única. A Rosa de todos, síntese de cada flor brotada neste ou quem sabe, em outros orgânicos planetas. Mítica ou urbana. Erótica ou virginal. Funerária ou festiva. Ritualística ou apenas decorativa. Mais coletiva e democrática, impossível. E também tão estranhamente solitária -a rosa- ocultando um segredo longínquo, hiperbóreo.

No Oriente, ela faz par com a Lótus.  A Rosa-crística e a Lótus-búdica, ponte única entre dois hemisférios. Da pele fresca de Afrodite, ela é a rosa leitosa e pálida, que ao se ferir desesperadamente faz-se renascida no sangue de Adônis, daí a rosa mais rubra e borbulhante. Dos bacanais de Baco-Dionísio, em pratos de prata, ela vem numa salada exótica de frutas e pétalas de várias cores.

Na origem de tudo, está a Rosa mandálica. O eixo ancestral do círculo e da roda; quando o botão do Universo ativa seu Big-Bang. Ela-elo perdido de uma ideia alienígena deixada cair por OVNIS em forma de sementes, aqui no meu jardim particular.

O velho Edward Bach, com sua orquestra de flores, já sabia das coisas. Para cada emoção adoecida, um pensamento em flor, em fórmula de essência líquida, música em gotas, hóstia da Mãe-Natureza em nossa língua. Seja ela qual for: a rosa-lótus, a rosa-tulipa, a rosa-orquídea, a rosa-dália,  rosa-crisântemo,  rosa-margarida. Até a mais impossível, a rosa-azul que haverá de se abrir no mais profundo breu, num certo momento de nossa vida.

Toda flor, na forma, cor e essência, é uma palabracadabra!  Uma resolução algébrica, que converte o caos em floral cósmico e fractal. Como a Triparasudari, a Rosa Cósmica da Índia, beleza perfeita da Mãe Divina. Ou na forma de Taça do Graal: rosas em chagas e feridas sobre aquele ser coroado de espinhos pelos homens: seu corpo em haste e aberto em cruz até hoje libera a rosa de seu coração em chamas para dentro do nosso peito.

Eqüidistante, vê-se a Rosa dos Ventos para todas as direções (e sentidos): do profano ao sagrado, na pureza e na paixão, da vida à morte, nas armas e cavalarias de guerra assim como nos campos e terraços da paz! Sempre ela, a rosa dialética e alquímica! De Beatriz para Dante.

Até Hécate, deusa das ciladas infernais vem com uma guirlanda de rosas sobre a cabeça. No mês de maio, nas tumbas egípcias havia a cerimônia das Rosálias, oferenda de rosas aos mortos. Também existe a Rosa Mística. Quem sabe em Rodhes, que significa Ilha das Rosas, local ideal para fazer uma Iniciação. Nome que pode ter vindo do latim “ros” sinônimo de chuva, regenerando todos seres. Como o burrico de Apuleio, que readquire a forma humana depois de comer rosas oferecidas por um sacerdote de Ísis.

O Eclesiastes também cita as rosas de Jericó. E o Cântico dos Cânticos, a rosa de Saron.

Bem, depois disso tudo, não custa tentar. Para a raiz de cada problema visualizemos a flor de uma solução. O sentimento remudado por nossas mãos e que, aos poucos, imperceptivelmente dissolve as linhas  obstrutoras  no monitor da nossa mente.

Rosa que ora por si mesma, em forma, em cor e aroma.

E, ao final de cada programa ou película, que salte da tela aquele imenso leão, igual ao da Metro. Rugindo feroz, rosas aos borbotões, sobre nós.

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*Carlos Walker, IO Escola de Astrologia. Tel: 11- 97129-9876  – [email protected]

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