Vida: eterno processo de se relembrar

Por Ana Paula Fantin*

Estamos crescendo de maneira que seja mais fácil acreditar que existem mais motivos para chorar do que para sorrir, afinal, quando ligamos a tv, na maioria das vezes, só vemos notícias ruins e tragédias nos noticiários e eles não fazem questão de veicular os milagres diários que existem por aí.

Mas eles existem sim e estão em toda a parte.

A verdade é que como a dor sempre dói por um tempo mais longo, a nossa tendência é eternizar dentro de nós os sentimentos ruins que experimentamos.

Eu acredito que todos nós viemos a essa vida para, essencialmente, aprender a amar uns aos outros e experimentar o amor na sua melhor e mais completa forma.

Nascemos com a pureza do amor divino no coração e no decorrer da vida, principalmente na primeira infância, aprendemos coisas e passamos por situações que infelizmente nos gravam sensações de maneira muitas vezes equivocada.

Quase sempre ouvimos frases limitantes nos momentos em que elas não deveriam ser ditas, como por exemplo, quando estamos em instantes de muita alegria e contentamento ou a um passo de conseguir algo e escutamos:

“Nessa vida não se pode ter tudo. Quem ri muito hoje, chora amanhã. É bom demais para ser verdade.”

Ou então passamos por processos de formação em que, inevitavelmente, seremos comparados ao coleguinha da escola que tirou 10 na prova enquanto tiramos 6 e nos sentiremos os piores por isso.

Aliás, aprendemos já ali, que a vida pode ser um eterno desafio de comparações na nossa mente.

É claro que o medo e a dor, quando bem canalizados, nos fazem ter cautela em processos realmente perigosos, de sobrevivência e crescimento para a nossa vida. No entanto, eles podem fazer também com que cresçamos completamente equivocados sobre a realidade.

Por isso é tão importante o processo de nos relembrar.

Relembrar que viemos à essa vida por um propósito que, mesmo que às vezes fique turvo, existe.

É preciso nos relembrar que a felicidade já é o caminho daquilo que buscamos e não um destino final.

Independente se você faz parte de uma religião ou crença, é necessário relembrar diariamente que Deus, o Universo, ou qualquer que seja o nome que você queira dar, nos trouxe aqui para o bem.

Faz bem nos relembrar de que a vida humana na Terra pode e deve ser um processo de cura interna, assim como o desenvolvimento da tolerância e gratidão para com os nossos semelhantes.

Com consciência, é muito importante dizer e mostrar às nossas crianças que a felicidade existe muito mais do que a dor, para que não lhes seja estranho quando crescerem e receberem elogios, por exemplo, não souberem reconhecer ou se achar não merecedores daquilo.

É preciso relembrá-los de quem são para que não lhes seja estranho aos olhos ver o bem no mundo sem achar que em sequência pode vir algo ruim, para que então não lhes seja estranho lidar com o fracasso como uma tentativa e não como uma falha que existe dentro deles.

É preciso mostrar aos nossos filhos que o bem existe na mesma proporção em que o mal e que inferno é um processo que existe dentro de nós.

É preciso mostrar a eles que a felicidade existe também na dor, para que não lhes falte motivos de acreditar que podem chegar longe nas relações com os seres humanos e para que não cresçam com o sentimento e a impressão de que o amor machuca mais do que cura.

E se a gente não se relembrar, diariamente, que os pequenos e mais simples momentos da vida são os melhores, a gente vai passar uma vida inteira atrás de grandes realizações enquanto elas acontecem diariamente, embaixo do nosso nariz.

E um dia podemos chegar ao fim infelizes, com o olhar enrijecido e o coração amargo, um caminho sem volta para o qual, com certeza, não fomos criados.

Basta que nos relembremos, basta que tenhamos os olhos voltados para um propósito intrínseco em cada um de nós. Basta que tenhamos o peito aberto para relembrar os nossos momentos de glória com o mesmo afinco que relembramos os nossos processos de dor.

Eu acredito e tenho certeza que existe muito amor aqui para todos nós, basta nos relembramos, dia após dia, como quem se lembra de escovar os dentes pela manhã, que o bem está em toda parte e que os bons ainda são maioria.

Desejo um lindo e encantador processo de se relembrar para você.

*Sou viajante, escritora, praticante de yoga, amante da natureza, reikiana iniciada e apaixonada por tudo que envolva desenvolvimento pessoal e espiritualidade.

Uma vida baseada em uma frase: Conhece-te a ti mesmo.

“Parti em busca de um refúgio espiritual através de retiros, cursos, livros, terapias e meditação. No fim das contas, surpreendentemente, eu descobri que existia um refúgio no divino que habita dentro de mim.”

Instagram: fantinanapaula

E-mail: [email protected]

2 Comentários

  1. Excelente texto Ana Paula!!! Realmente vivemos em um tempo onde as vibrações negativas estão mais em evidência… Mas não devemos nos esquecer da dualidade que existe neste planeta: a amor e o ódio; o dia e a noite; o positivo e o negativo, etc… Devemos nos conscientizar e transitar no meio do caus e nos sobressair… mantendo sempre a harmonia e a boa vibração interior… Parabéns pelo post!!!

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